O desemprego no Brasil se manteve em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026 — o mesmo patamar do trimestre anterior. Mas a comparação anual revela avanço significativo: 1,2 milhão de pessoas saíram da fila do desemprego nos últimos doze meses.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira (5) pelo IBGE. Em janeiro de 2025, a taxa era de 6,5% — queda de 1,1 ponto percentual em um ano.
Mercado aquecido, renda em alta
Com 102,7 milhões de pessoas ocupadas, o Brasil acumulou mais 1,7 milhão de trabalhadores frente ao mesmo período do ano anterior — crescimento de 1,7%. O nível de ocupação, que mede a parcela da população em idade ativa efetivamente empregada, ficou em 58,7%.
O rendimento real médio chegou a R$ 3.652, alta de 5,4% em doze meses. A massa salarial — a soma de todos os salários pagos no país — atingiu R$ 370,3 bilhões, crescimento de 7,3% em relação ao mesmo período de 2025, acréscimo de R$ 25,1 bilhões à circulação econômica.
Informalidade recua, desalento em mínima
A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, equivalente a 38,5 milhões de trabalhadores. O índice caiu frente ao trimestre anterior (37,8%) e ao mesmo período do ano passado (38,4%), indicando avanço gradual na formalização do mercado.
Os desalentados — pessoas que desistiram de procurar emprego — somaram 2,7 milhões, queda de 15,2% em um ano, o equivalente a 476 mil pessoas a menos nessa condição. A taxa de desalento ficou em 2,4%, 0,4 ponto percentual abaixo de janeiro de 2025.
O bom desempenho do emprego, porém, não impediu que o PIB brasileiro crescesse apenas 2,3% em 2025 — o pior resultado desde a pandemia —, freado pela Selic a 15% e pela queda de 3,5% no investimento no último trimestre do ano.
Fora da força de trabalho e paradoxo do endividamento
A força de trabalho no país somou 108,5 milhões de pessoas no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026, volume estável frente ao período anterior, mas 0,4% maior do que um ano antes — incorporando 472 mil pessoas à população economicamente ativa.
Os subocupados por insuficiência de horas — trabalhadores que gostariam de trabalhar mais — somaram 4,5 milhões, estáveis tanto no trimestre quanto na comparação anual. Já os fora da força de trabalho chegaram a 66,3 milhões, alta de 1,3% em doze meses, o que representa mais 846 mil pessoas nessa condição.
Apesar do recorde de ocupação e da alta na renda média, o Brasil fechou 2025 com 19 milhões de pessoas endividadas no cartão de crédito — um paradoxo que evidencia os limites do mercado de trabalho aquecido para converter emprego em bem-estar financeiro real.