A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, com 14 votos a favor e 10 contra, o repasse de nove imóveis públicos ao patrimônio do Banco de Brasília (BRB). A votação, realizada na terça-feira (3), encaminha o texto à sanção do governador Ibaneis Rocha (MDB).
Com os ativos aprovados, o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, apresentou a estratégia: criar um fundo de investimento imobiliário (FII) e vender as cotas a investidores qualificados para capitalizar a instituição.
Como funcionaria o FII do BRB
O fundo de investimento imobiliário é um instrumento regulamentado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com base na Lei Federal 8.668/93. Na prática, os imóveis são reunidos em uma carteira administrada por uma instituição financeira autorizada pela CVM, e os lucros são distribuídos periodicamente aos cotistas.
A proposta do BRB seria transformar os nove imóveis públicos recebidos do governo do DF nessa estrutura, captando recursos de mercado sem depender de aportes diretos do Tesouro Distrital.
Peso do BRB na economia do DF
O banco responde por 64% dos financiamentos imobiliários do Distrito Federal e injeta R$ 215 milhões na economia da capital. Para a gestão, esses números reforçam a importância estratégica de manter a instituição ativa e solvente.
O plano de recuperação financeira do BRB será apresentado ao Banco Central até o fim de março, dentro do prazo regulatório, segundo o próprio presidente.
Liquidação custaria até R$ 25 bilhões ao FGC
Estimativas do próprio banco apontam que uma eventual liquidação causaria impacto de R$ 20 a R$ 25 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e garante os recursos de depositantes em caso de crise bancária.
O montante pressionaria uma das principais redes de proteção do sistema financeiro ao precisar ressarcir os credores da instituição.
Nelson de Souza descartou as hipóteses de liquidação e federalização. “O BRB sairá bem mais forte e será capitalizado mais forte que ele era antes”, afirmou o executivo, que também defendeu a responsabilização dos gestores responsáveis pelo prejuízo bilionário que levou o banco à necessidade de socorro.