A Anthropic, empresa criadora do assistente Claude, retomou as negociações com o governo dos Estados Unidos sobre o uso militar de sua inteligência artificial, segundo o Financial Times desta quinta-feira (5).
As conversas foram interrompidas após um impasse sobre como os modelos da empresa poderiam ser utilizados pelas Forças Armadas americanas — o que levou o presidente Donald Trump a ordenar que agências federais parassem de usar os programas da Anthropic.
Com um novo acordo no horizonte, os militares dos EUA poderiam voltar a operar livremente com os modelos da empresa, reduzindo o risco de que a Anthropic seja classificada como ameaça à cadeia de fornecimento de defesa.
Da ameaça de banimento ao retorno à mesa
O secretário de Guerra de Trump, Pete Hegseth, havia ameaçado classificar a Anthropic como risco para a cadeia de fornecimento de defesa — o que, na prática, obrigaria empresas do setor militar a cortar contratos com a companhia.
Mesmo com a ordem de suspensão em vigor, os EUA utilizaram o Claude em operações contra o Irã, segundo o Wall Street Journal. O assistente teria auxiliado o Exército americano em avaliações de inteligência, identificação de alvos e simulação de cenários de combate.
O uso do Claude ocorre em meio a uma ofensiva de escala crescente: Trump chegou a acionar a produção emergencial de armamentos para sustentar o conflito no Irã, onde o assistente da Anthropic teria ajudado o Exército americano a identificar alvos e simular cenários de batalha.
Avaliada em US$ 380 bilhões, a Anthropic foi a primeira empresa a assinar um contrato de uso de IA para fins militares com o governo americano. O acordo de US$ 200 milhões foi fechado em julho de 2025, seguido por contratos semelhantes com a OpenAI e o Google.
Efeito cascata no setor de inteligência artificial
A situação da Anthropic tem reflexo direto sobre outras empresas do setor. A OpenAI, dona do ChatGPT, também pode ter seus planos afetados após anunciar, na semana passada, um acordo que libera o uso de seus modelos pelo Pentágono.
O episódio expõe a tensão crescente entre as grandes empresas de inteligência artificial e o governo Trump, que busca ampliar o uso dessas tecnologias nas Forças Armadas ao mesmo tempo em que cobra maior alinhamento político e operacional das companhias.
Se a Anthropic fechar o novo acordo, o governo americano volta a ter acesso irrestrito ao Claude — uma das IAs mais avançadas do mercado — para usos que vão além do expediente corporativo e entram no domínio das operações de defesa e inteligência militar.