A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, prestou depoimento nesta terça-feira (3) ao Comitê Judiciário do Senado — sua primeira aparição no Congresso desde que dois manifestantes foram mortos durante operações de imigração em Minneapolis.
Renee Good foi baleada por um agente do ICE em 7 de janeiro. Em 24 de janeiro, Alex Pretti foi atingido por agentes da CBP enquanto filmava uma fiscalização. As mortes amplificaram a resistência à política de deportações em massa do governo Trump.
Operação em Minnesota e as mortes que acenderam o debate
Em uma ação batizada de Operation Metro Surge, o governo enviou centenas de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) a Minnesota, apresentada inicialmente como combate a fraudes no estado.
A operação foi recebida com protestos generalizados: marchas, monitoramento das ações federais e redes de apoio a imigrantes com medo de sair de casa.
A morte de Renee Good e o ferimento de Alex Pretti geraram cobranças por responsabilização e transparência. Noem, que inicialmente descreveu os dois como agressores, passou a enfrentar críticas de democratas e também de republicanos, que pediram sua renúncia.
Diante da pressão, Trump enviou Tom Homan, responsável pela política de fronteiras, a Minneapolis para assumir o comando da operação. Homan anunciou a redução do efetivo no estado, mas afirmou que as deportações continuarão.
Acusações no Senado e impasse no financiamento federal
Durante a audiência, senadores democratas acusaram agentes sob comando de Noem de abuso de poder, uso excessivo da força e violação de direitos constitucionais.
O senador Dick Durbin, principal democrata no comitê, classificou Noem como "a face pública de uma cruzada anti-imigração abominável" e denunciou ações de agentes federais contra crianças, famílias imigrantes e cidadãos americanos.
O impasse sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna segue sem resolução no Congresso — embora um projeto aprovado no ano passado tenha garantido reforço orçamentário para a agenda de deportações.
O depoimento ocorre ainda em meio a um tiroteio em um bar no Texas, investigado como possível ato de terrorismo, o que intensifica preocupações sobre reflexos do conflito com o Irã na segurança interna americana. Noem também deve depor nesta quarta-feira (4) diante de um comitê da Câmara dos Representantes.