O Irã declarou o Estreito de Ormuz fechado e ameaçou incendiar qualquer embarcação que tente cruzar o ponto estratégico. O comunicado, divulgado nesta segunda-feira (2) pela mídia estatal iraniana, foi feito em nome do comandante da Guarda Revolucionária do país.
A medida é retaliação direta pela morte do líder supremo Ali Khamenei. O Comando Central dos EUA, porém, nega que a rota esteja efetivamente bloqueada.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais críticas do mundo para o fluxo de petróleo, conectando os maiores produtores do Golfo — Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos — ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Seu fechamento interromperia cerca de um quinto da produção global do combustível, com impacto imediato nos preços internacionais do petróleo bruto.
Antes do anúncio desta segunda, a Guarda Revolucionária iraniana já havia atacado com drones um petroleiro que transitava pelo estreito. Agências de notícias confirmaram o nome da embarcação atingida: Athen Nova. A escalada teve início no sábado (28), quando Teerã comunicou o fechamento da rota pela primeira vez.
Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a ofensiva em discurso nesta segunda. O republicano afirmou que os ataques representam “a nossa última e melhor chance de eliminar a ameaça do regime iraniano” e estimou que o conflito deve durar “quatro ou cinco semanas ou mais”.
Objetivos declarados da ofensiva americana
Trump listou como metas destruir mísseis iranianos, desmantelar a Marinha do Irã e interromper as ambições nucleares do país, além de cortar o financiamento a grupos considerados terroristas pelos EUA. Segundo ele, os Estados Unidos já afundaram pelo menos 10 navios iranianos e estão destruindo tanto os mísseis já produzidos quanto a capacidade de fabricar novos.
Quatro militares norte-americanos tiveram suas mortes confirmadas no conflito. Outros 18 soldados estão gravemente feridos após ataques retaliatórios iranianos, segundo a CNN Internacional.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, usou as redes sociais nesta segunda para cobrar responsabilidade dos EUA e de Israel por ataques a alvos civis no país. Entre os episódios citados está o bombardeio a uma escola de meninas no sul do Irã, que deixou 168 mortos no sábado (28), e o ataque a um hospital em Teerã, no domingo (1º). Nem os EUA nem Israel confirmaram envolvimento nos dois casos.
A unidade de elite da Guarda Revolucionária também emitiu ameaças diretas, afirmando que os “inimigos que mataram” Khamenei não estarão seguros “nem mesmo em casa”. O aviso foi divulgado pela mídia estatal iraniana logo após Trump declarar, em Washington, estar confiante na vitória americana.
Negociações nucleares rompidas
Trump indicou não estar disposto a retomar diálogos com Teerã. EUA e Irã vinham negociando um acordo de não proliferação de armas nucleares, mas o presidente norte-americano afirmou que os iranianos recuaram das tratativas duas vezes. “Uma hora falamos chega”, declarou. Mais cedo, Trump disse à CNN Internacional que “a grande leva de ataques ao Irã ainda está por vir”.
O republicano reiterou estar “muito feliz” de ter retirado os EUA do acordo nuclear firmado durante o governo Barack Obama e acusou o Irã de expandir seu programa de mísseis “rápida e dramaticamente” — uma ameaça, segundo ele, à Europa e às bases militares americanas no Oriente Médio.