A canícula é um período de calor intenso e prolongado, geralmente entre julho e agosto no Brasil, marcado por temperaturas acima da média e baixa umidade. Esse fenômeno é responsável por ondas de calor extremo, agravadas pelo aquecimento global, e traz impactos diretos à saúde, agricultura e abastecimento de água.
O que é a canícula?
A canícula corresponde a uma sequência de dias consecutivos com temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar. No Brasil, costuma durar de 15 a 20 dias, especialmente no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, ocorrendo geralmente entre o final de julho e início de agosto. Esse intervalo é marcado pela ausência de chuvas e aumento da radiação solar, o que intensifica o calor e dificulta a dissipação do calor acumulado.
Como a canícula explica as ondas de calor extremo?
Durante a canícula, fatores como alta pressão atmosférica e baixa umidade impedem a formação de nuvens e chuvas, mantendo o céu limpo e o sol forte. O fenômeno do bloqueio atmosférico mantém o ar quente preso sobre uma mesma área, impedindo a chegada de frentes frias e prolongando o calor. Em anos de El Niño, a canícula pode ser ainda mais intensa. No Hemisfério Norte, ocorre no verão, entre julho e agosto, enquanto no Brasil é mais comum entre janeiro e fevereiro.
Impactos e consequências
As ondas de calor associadas à canícula têm efeitos diretos sobre a saúde, como aumento de até 50% no risco de infarto ou AVC durante extremos de calor. O consumo de energia cresce, reservatórios de água sofrem queda nos níveis e cidades enfrentam temperaturas mais altas devido ao efeito das ilhas de calor urbanas.
No campo, secas prolongadas reduzem a produção de soja e milho, elevam custos de irrigação e ampliam o risco de incêndios florestais. Estudos mostram que, em São Paulo, o número de dias com temperaturas mais de 5 ºC acima da média subiu de 7 por ano na década de 1960 para mais de 50 na última década. Em 2025, a Europa registrou recordes históricos, como o verão mais quente na Espanha e temperaturas de até 46,6 ºC em Portugal, levando à suspensão de aulas.
Especialistas apontam que a adaptação é possível, com monitoramento climático, expansão de áreas verdes, preparo dos sistemas de saúde e uso racional da água. A frequência e intensidade da canícula aumentam com o avanço do aquecimento global, tornando o fenômeno um desafio crescente para o futuro.